
Dacia quer recuperar o tempo perdido e já tem um plano
Miguel Dias - Razão Automóvel · 14/09/2026
A Dacia tem feito praticamente tudo bem nos últimos anos. Fez crescer a gama, melhorou significativamente a qualidade dos seus produtos e entrou em segmentos mais elevados, ajudando a solidificar a sua rentabilidade dentro do Grupo Renault.
Mas nem tudo é perfeito e há uma fatia importante do mercado onde a oferta da Dacia ficou claramente para trás: os elétricos. O lançamento do Spring, em 2021, trouxe aquele que continua a ser o automóvel elétrico mais barato do mercado português. Mas ficou por aí.
Cinco anos depois, não há outro elétrico dentro da gama da marca romena. E o novo elétrico que acabou de apresentar é a segunda geração do Spring, construída sobre a mesma base técnica do Renault Twingo. Cresceu, ganhou novos argumentos visuais, tecnológicos e de segurança e pode conhecê-la no nosso vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=KTF-T8Xo6cQ
Apesar de todas as mudanças, o novo Spring mantém aquele que sempre foi o seu principal argumento: o preço. Em Portugal, a versão de entrada continuará na casa dos 17 mil euros, praticamente o mesmo valor pedido pelo modelo anterior. Uma fórmula que ajudou o Spring a superar as 210 mil unidades vendidas desde 2021. Mas um único elétrico não chega.
Sandero, Duster ou Bigster, continuam sem alternativas 100% elétricas e são precisamente os modelos que concentram a grande fatia das vendas da marca. E a marca já começou a sentir as consequências.
As vendas dos elétricos dispararam na Europa em 2026, subindo praticamente 30% até agosto, alimentadas pela instabilidade no Médio Oriente que tem mantido o preço dos combustíveis perto de máximos históricos. Percebe-se a urgência com que a Dacia precisa de corrigir este problema.
Durante uma mesa-redonda com jornalistas europeus, onde a Razão Automóvel esteve presente, Frank Marotte, vice-presidente da Dacia para as áreas de Marketing, Vendas e Operações, reconheceu precisamente isso: “O segundo trimestre ficou abaixo do que conseguimos alcançar no primeiro, novamente devido à forte presença dos elétricos a bateria no mercado”, afirmou.
“Nos segmentos B, B+ e C não temos uma oferta capaz de responder”, acrescentou, antes de explicar: “As vendas de elétricos a bateria aumentaram significativamente no segundo trimestre e isso afetou o nosso volume potencial para o Duster”.
Para acelerar o processo e, sobretudo, controlar os custos, a marca romena vai recorrer às plataformas já existentes dentro do Grupo Renault. Foi precisamente isso que aconteceu com o novo Spring, que partilha a base técnica com o Twingo.
Apesar desta proximidade, há uma coisa que está bem clara para Marotte: “Temos um posicionamento de preço inferior ao da Renault e precisamos de o conseguir também no mundo dos elétricos”.
O novo Spring mostra que isso é possível. A verdadeira prova de fogo chegará quando a Dacia tentar aplicar a mesma fórmula a modelos elétricos maiores, capazes de ocupar o espaço de um Sandero, Duster ou Bigster.